O Serviço Social do Hospital de Clínicas da Unicamp, em parceria com o Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas, realizou nesta quinta-feira, 9, o I Simpósio de Proteção Social da Criança e do Adolescente – Direitos da Criança e do Adolescente na Saúde. O objetivo do evento era discutir, entre profissionais que trabalham com pediatria, aspectos legais da criança na sociedade e o atendimento a este público no serviço de saúde.
A diretora do serviço social do HC, Maria Rita Fraga, ressaltou, em seu discurso de abertura do simpósio, a importância de discutir o estatuto da criança e do adolescente e suas relações com o atendimento deste público na área de saúde. “Atender à criança e ao adolescente é um compromisso com a vida, com o futuro”, afirmou Maria Rita. O superintendente do HC, Luis Carlos Zeferino, destacou o trabalho multidisciplinar de atendimento à vítimas de violência realizado no ambulatório de pediatria do hospital, além da importância de a comunidade do HC estar envolvida com a realidade dos pacientes que atendem. “Temos que trabalhar como sentinelas, atentos ao que acontece na sociedade. É preciso participar ativamente de programas direcionados à família, fundamentais para qualificar a criança enquanto cidadãos”, observou Zeferino.
O primeiro palestrante do dia, o professor titular da pediatria da Unicamp e ex-reitor da universidade, José Martins Filho, falou sobre as relações familiares e a criança no mundo contemporâneo. Em sua explanação, Martins observou que a saúde e o bem estar das crianças não dependem apenas do pediatra, mas também de todos os profissionais que dedicam atenção a este público, e principalmente do contexto social e familiar ao qual ela se insere. “Do ponto de vista da saúde, prevenção, tratamentos, temos grandes chances que nossas crianças sejam centenárias. A pediatria moderna não previne apenas doenças infantis, ela faz prevenção para o futuro”, concluiu Martins.
A palestra seguinte foi proferida pela professora do Departamento de Pediatria da Unicamp, Denise Barbieri Marmo, e tratou dos aspectos médico-legais no atendimento às vítimas de violência doméstica na infância e adolescência. Denise destacou o trabalho multidisciplinar no atendimento às crianças que sofrem violência. “Nosso trabalho se sustenta em um tripé: o atendimento médico, psicológico e do serviço social. O grande desafio é manter a saúde mental e o bem estar social das crianças vítimas de violência doméstica”, afirmou.
O Simpósio teve ainda uma mesa redonda que discutiu as ações de proteção social da criança e do adolescente. Participaram da discussão a assistente social e ouvidora do HC, Mirian Martins; Dalva Rossi, do centro de defesa dos direitos da criança e do adolescente de Campinas, CEDECAMP; Kátia Cristina Campolina, do Conselho Tutelar de Campinas e a assistente social da pediatria do HC, Sandra Biella. Para finalizar o dia, o terapeuta familiar e teólogo, Antônio Braga, fez a palestra “As 7 vidas que não temos”. O evento contou com o apoio do Grupo Gestor de Benefícios Sociais - GGBS da Unicamp. Segundo seu coordenador, Edson Lins, parcerias como esta são de extrema importância para a qualificação profissional.
Créditos:Caius Lucilius com Gláucia SantiagoAssessoria de Imprensa do HC UNICAMP
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Cirurgia bariátrica_reducao de estomago_ pode afetar a saúde bucal, aponta pesquisa
Pesquisa realizada com 57 pacientes que passaram pela cirurgia bariátrica (redução do estômago), no Ambulatório de Obesidade Mórbida do Hospital das Clínicas da Unicamp, apontou índice de comprometimento da saúde bucal acima da média regional e da nacional nessa população. A constatação foi feita pela cirurgiã-dentista Beatriz Balduino Ferraz da Silva em sua dissertação de mestrado apresentada na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP). A pesquisa foi orientada pela professora Dagmar de Paula Queluz.
Segundo a pesquisadora, a necessidade de um acompanhamento especializado antes e após a cirurgia se faz necessário por vários motivos. Primeiro, porque o paciente que se submete ao procedimento necessita mastigar muito bem os alimentos devido à capacidade gástrica reduzida. O que Beatriz observou, no entanto, é que na amostra da pesquisa 87,7% dos pacientes apresentaram necessidade de prótese dentária. “Constatei a ausência de dentes ou próteses em condições inadequadas, o que pode levar a dificuldades na mastigação”.
Outro fator refere-se às condições pós-operatórias. Na maioria das vezes, a pessoa sofre com vômitos freqüentes por um período. “Para eliminar o gosto ruim da boca, o paciente acaba escovando os dentes na seqüência, quando na verdade o recomendado é utilizar soluções alcalinas para neutralizar a acidez salivar antes da escovação. A acidez amolece a superfície dos dentes, causando a erosão dental”, explica.
Além de fazer a avaliação clínica e identificar os principais problemas dentários desses pacientes, a cirurgiã dentista também aplicou questionário avaliando a autopercepção que possuem da saúde bucal. Há relatos, destaca Beatriz, que a pessoa não procurava o dentista por conta do excesso de peso. “Eles diziam que tinham medo de sentar na cadeira e quebrá-la ou ainda passar por outros tipos de constrangimento pelo excesso de peso. Eles procuram o tratamento apenas em situações emergenciais, entre as quais quebra de dente ou dor”, esclarece.
A partir destes resultados, Beatriz destaca a importância de se incluir um cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar que realiza a cirurgia de redução de estômago. Para ela, tanto no pré quanto no pós-cirúrgico as orientações especializadas associadas à reabilitação protética poderiam auxiliar muito na redução dos índices de comprometimento e minimizar os riscos pós-operatórios a que esses pacientes estão sujeitos. Ela justifica argumentando sobre o aumento significativo deste tipo de intervenção no Brasil. Só o Hospital da Unicamp realiza quatro cirurgias por semana. Créditos:RAQUEL DO CARMO SANTOS
Segundo a pesquisadora, a necessidade de um acompanhamento especializado antes e após a cirurgia se faz necessário por vários motivos. Primeiro, porque o paciente que se submete ao procedimento necessita mastigar muito bem os alimentos devido à capacidade gástrica reduzida. O que Beatriz observou, no entanto, é que na amostra da pesquisa 87,7% dos pacientes apresentaram necessidade de prótese dentária. “Constatei a ausência de dentes ou próteses em condições inadequadas, o que pode levar a dificuldades na mastigação”.
Outro fator refere-se às condições pós-operatórias. Na maioria das vezes, a pessoa sofre com vômitos freqüentes por um período. “Para eliminar o gosto ruim da boca, o paciente acaba escovando os dentes na seqüência, quando na verdade o recomendado é utilizar soluções alcalinas para neutralizar a acidez salivar antes da escovação. A acidez amolece a superfície dos dentes, causando a erosão dental”, explica.
Além de fazer a avaliação clínica e identificar os principais problemas dentários desses pacientes, a cirurgiã dentista também aplicou questionário avaliando a autopercepção que possuem da saúde bucal. Há relatos, destaca Beatriz, que a pessoa não procurava o dentista por conta do excesso de peso. “Eles diziam que tinham medo de sentar na cadeira e quebrá-la ou ainda passar por outros tipos de constrangimento pelo excesso de peso. Eles procuram o tratamento apenas em situações emergenciais, entre as quais quebra de dente ou dor”, esclarece.
A partir destes resultados, Beatriz destaca a importância de se incluir um cirurgião-dentista na equipe multidisciplinar que realiza a cirurgia de redução de estômago. Para ela, tanto no pré quanto no pós-cirúrgico as orientações especializadas associadas à reabilitação protética poderiam auxiliar muito na redução dos índices de comprometimento e minimizar os riscos pós-operatórios a que esses pacientes estão sujeitos. Ela justifica argumentando sobre o aumento significativo deste tipo de intervenção no Brasil. Só o Hospital da Unicamp realiza quatro cirurgias por semana. Créditos:RAQUEL DO CARMO SANTOS
Pesquisadores do HC avaliam colesterol e triglicérides de 2 mil crianças e jovens:Índices obtidos em estudo desenvolvido ao longo de oito anos...

Pesquisadores do Hospital de Clínicas (HC) da Unicamp analisaram durante oito anos os resultados de colesterol e de triglicérides no sangue de aproximadamente 2 mil crianças e adolescentes entre 2 e 19 anos atendidos no Ambulatório de Dislipidemias e em ambulatórios especializados do HC, principalmente na área de Pediatria. Este estudo retrospectivo de análise clínico-laboratorial foi conduzido pela professora Eliana Cotta de Faria, do Departamento de Patologia Clínica da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, com a colaboração do patologista clínico Fábio Bernardi Dalpino e da pediatra Raquel Takata.
O estudo encontrou altos índices de colesterol e triglicérides nas crianças e adolescentes. Os dados surpreenderam até mesmo os pesquisadores. Inéditos nessa faixa etária da população brasileira, eles compõem o trabalho “Lípides e lipoproteínas séricos em crianças e adolescentes ambulatoriais de um hospital universitário público”, publicado recentemente na Revista Paulista de Pediatria.
De acordo com a literatura mundial e brasileira especializadas, o colesterol em crianças e adolescentes deve ser inferior à 170mg/dL e os triglicérides menores que 100 mg/dL. Para as análises estatísticas do perfil lipídico dessa faixa etária, os pesquisadores da Unicamp adotaram valores de corte internacionais, nacionais e os recomendados pelo médico e pesquisador norte-americano Kwiterovich, estudioso das dislipidemias na infância. Os resultados encontrados pelos pesquisadores do
Ambulatório de Dislipidemias do HC nas medidas analisadas de lipoproteínas do LDL-colesterol (considerado “ruim”) do HDL-colesterol (tido como “bom”) e dos triglicérides foram muito alterados, tanto em meninas quanto em meninos.
Das crianças entre 2 e 9 anos, 44% apresentaram valores alterados para o colesterol total, 36% para o LDL-colesterol e 56% para os triglicérides. Entre os adolescentes de 10 e 19 anos, 44% apresentaram alterações para o colesterol total, 36% para o LDL-colesterol e 50% para os triglicérides. A pesquisa também indicou que houve uma redução de HDL-colesterol em 44% das crianças e em 49% dos adolescentes.
Outros dados analisados neste estudo indicaram que aproximadamente 34% das crianças e adolescentes tinham hipercolesterolemia combinada com hipertrigliceridemia; 15% das crianças e 20% dos adolescentes tinham hipercolesterolemia combinada com hipoalfalipoproteinemia (diminuição do HDL-colesterol); e, na média, 30% tinham hipertrigliceridemia combinada com hipoalfalipoproteinemia.
Segundo a pesquisadora, no Brasil, até o momento, não há estudos com uma grande amostra de crianças e adolescentes ambulatoriais. Houve interesse em explorar os indivíduos atendidos no Hospital de Clínicas da Unicamp por ele abranger uma região com cerca de cinco milhões de pessoas. “Os dados encontrados, portanto, refletem a situação da população desta região do país”, explicou a médica e pesquisadora Eliana Cotta de Faria.
“Os resultados obtidos direcionam a ação para uma abordagem também preventiva. Na medida em que retratamos a realidade das crianças e adolescentes atendidos do HC, nós devemos programar medidas de intervenção nessas faixas etárias para o diagnóstico precoce e correto das suas causas e seu respectivo tratamento. Assim, podemos retardar a progressão da aterosclerose e de suas complicações, principalmente cardiovasculares, além de evitarmos, também, a pancreatite aguda, causada pelo aumento de triglicérides”, explicou Eliana.
De acordo com a docente, algumas dislipidemias têm causas genéticas. Entretanto, a maioria delas são causadas por concentrações alteradas de lipídios e lipoproteínas, partículas que carregam as gorduras circulantes no sangue. As dislipidemias se caracterizam pelo aumento do colesterol e dos triglicérides em algumas dessas lipoproteínas. As lipoproteínas mais conhecidas são a VLDL, LDL e HDL. A VLDL é uma lipoproteína responsável por transportar os triglicérides. A LDL é a principal lipoproteína responsável por transportador o colesterol para os tecidos. Ela é importante para o organismo por ser precursora de hormônios, vitaminas e sais biliares. O colesterol da LDL, na forma natural de sua molécula, não é prejudicial à saúde. Porém, se ele for oxidado pelo organismo ou agentes externos, como as frituras, pode se depositar na parede das artérias, favorecendo o aparecimento de doenças cardiovasculares. Essa oxidação, ou mudança química da molécula, pode ser induzida também pelo tabagismo, estresse, infecções e pelo consumo de alimentos.
A HDL é a lipoproteína “lixeira”, que retira todo o excesso de colesterol das membranas das células, levando-o ao fígado para excreção. O colesterol é excretado pela bile. Quando a LDL está em excesso, oxida-se e é captada de maneira não controlada por outros receptores não regulados pelo colesterol, acumulando-se progressivamente nas células. O desequilíbrio nesse mecanismo é um dos principais fatores de risco para a aterosclerose.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define aterosclerose como o espessamento das artérias pelo acúmulo de gorduras, carboidratos complexos, componentes do sangue, células e material intercelular. De acordo com a pesquisadora, a aterosclerose começa na vida intra-uterina e se manifesta, clinicamente, por meio de angina, infarto agudo do miocárdio, derrames cerebrais e aneurismas na vida adulta, por volta dos 45 anos nos homens e 55 anos nas mulheres.
“Os fatores de risco para a aterosclerose são inúmeros. As dislipidemias são fatores de importância primordial e, quanto mais cedo se corrigir esta alteração, menor é a progressão da doença”, explicou Eliana. Nas crianças, existem várias causas de dislipidemias. Do ponto de vista das doenças causadoras, as doenças renais, as doenças de fígado, as endócrinas como a obesidade, o diabete mellitus e o hipotireoidismo, além de várias de origem genética, são as principais.
Do ponto de vista do estilo de vida contemporâneo, o estresse emocional, o sedentarismo e a alimentação inadequada são fatores que contribuem para o aumento da prevalência da obesidade e sobrepeso, que ocasionam doenças relacionadas às dislipidemias. Na opinião de Eliana, o medo da violência, o excesso de jogos de computador, as dietas de fast-food e as dietas ricas em gordura saturada, açúcar e frituras são altamente perniciosas para os lípides sanguíneos e parecerem contribuir com essa realidade. “Se a família tem um padrão pouco saudável de alimentação, as crianças irão seguir este modelo”, explica Eliana.
No caso dos adolescentes, o tabagismo, o uso de anticoncepcionais e a gravidez são outros fatores que, associados aos anteriores, contribuem para o desenvolvimento de dislipidemias.
Um caso raro no mundo
A equipe multidisciplinar que compõe o Ambulatório de Dislipidemia do HC atende casos graves da doença. Um dos casos atendidos e acompanhados até hoje é o de um menino com 12 anos. Ele nasceu com uma deficiência enzimática da lipoproteína lipase (LPL) que é uma enzima chave no catabolismo das lipoproteínas. Ela atua, principalmente, no tecido adiposo e muscular. A incidência da doença é estimada em um para cada milhão de recém-nascidos. O caso da criança é raro no mundo. Ele é o 16º paciente pesquisado.
Aos 6 meses de idade, o garoto apresentava triglicerídeos no sangue iguais a 726mg/dL. O fígado e o baço eram volumosos. O diagnóstico médico inicial foi de virose. Até que, numa crise de dor abdominal, o menino foi encaminhado para o HC da Unicamp. O diagnóstico e tratamento dietético foram feitos no Ambulatório de Dislipidemias. Ele foi acompanhado, também, na Gastropediatria e na Cardiologia.
“Hoje, a doença é controlada, desde que ele siga as recomendações dietéticas. Caso contrário, ele pode vir a apresentar pancreatite aguda ou epididimite, tais como complicações do aumento de triglicérides”, disse Roseli, a mãe do paciente.
Apesar de várias pesquisas mundiais, principalmente no Canadá, não há medicamento para esta dislipidemia. O único tratamento é dietético. Para ajudar na dieta de filho, de um ano e meio para cá, Roseli começou a cursar uma faculdade de Nutrição. Ela mudou o cardápio retirando a gordura, os carboidratos simples e o açúcar. No lugar, introduziu arroz integral e alimentos ricos em fibras. “O carboidrato também faz subir os triglicérides”, disse Roseli, com voz de especialista.
Para quem chegou até 6.000mg/dL de triglicerídeos no sangue, o menino tem uma vida normal. Ele é escoteiro, medalha de bronze no Campeonato Paulista de judô, excelente aluno e sabe o que pode e o que não pode comer. “Quando ele ultrapassa a cota de gordura e carboidratos ingeridos no dia, é crise na certa”, comentou a mãe.
Numa dessas crises, a equipe do Ambulatório de Dislipidemias do HC da Unicamp fez com o paciente um teste terapêutico em regime de internação hospitalar de curta duração para controle absoluto da sua dieta. Os pesquisadores ofereceram clara de ovo como fonte de proteínas da dieta. Os triglicérides de V. reduziram-se para 300mg/dL.
“As pancreatites e as epididimites de repetição do garoto são de origem genética. Ele tem que fazer um rigoroso controle alimentar continuado até o surgimento de um tratamento que supra essa grave deficiência enzimática”, comentou Eliana, que acaba de diagnosticar dois novos casos menos graves de LPL no ambulatório.
O grupo de pesquisadores do Ambulatório de Dislipidemias do HC da Unicamp foi o primeiro a descrever, em crianças, o aparecimento da epididimite aguda na deficiência de LPL. Este trabalho foi, recentemente, submetido à publicação no Journal of Clinical Lipidology.
Serviço do HC prescrevedieta e elabora cardápios
As crianças e adolescentes atendidos no ambulatório de Dislipidemias do HC vêm, geralmente, encaminhados dos postos de saúde de Campinas, de centros de saúde de cidades vizinhas e do próprio HC, já com suspeita ou o diagnóstico de dislipidemias. Após a realização de uma série de exames, a equipe do ambulatório começa o tratamento. O serviço de nutrição do HC prescreve uma dieta individualizada e elabora cardápios para as crianças e adolescentes. Essa dieta é baseada em frutas, legumes, alimentos ricos em fibras, restrita em gordura de origem animal, colesterol e gordura saturada de carne vermelha e leite gordo. As crianças, em geral, usam leite de soja. As mães aprendem, por exemplo, a preparar bolos e biscoitos a base de soja. Em alguns casos de maior restrição, a suplementação vitamínica é oferecida.
É recomendado, no mínimo, 30 minutos de atividade física diária ou pelo menos três vezes por semana. Se o paciente for tabagista, é solicitada a interrupção do fumo. Não são preconizadas drogas redutoras dos lipídeos (hipolipemiantes) para as crianças, exceto em casos muito graves. Mesmo em adolescentes, somente são utilizadas medicações numa situação em que não há nenhuma resposta ao tratamento de mudanças de estilo de vida.
“Caminhando nessa linha de investigação, nós delineamos o perfil de risco para as crianças e adolescentes antes do tratamento. Quando incluímos o exercício físico e a dieta, nós estamos acrescentando fatores de risco negativo ao perfil de lípides destes pacientes. Essa é uma população que merece muito carinho e um muito cuidado para a prevenção da doença”, explicou Eliana.
Após oito anos atendendo crianças e adolescentes, os pesquisadores notaram que as famílias, ao receberem o diagnóstico da doença, têm reações diversas. Se a família é muito humilde, ela se conforma mais. Se a família tem expectativas maiores para a criança, o impacto é muito maior. Não são raras as famílias cujos membros entram em pânico.
“Por mais que se explique à família que são situações tratáveis, raramente letais, que com cuidados se controlam ou dependendo da causa se curam, o problema maior que encontramos é o da família não conseguir fazer o tratamento: umas por dificuldades socioeconômicas, outras por descaso ou problemas pessoais. Colocar uma criança e um adolescente em dieta não é fácil. Para dar certo, a família inteira tem que se comprometer”, explicou Eliana. Créditos:EDIMILSON MONTALTI
O estudo encontrou altos índices de colesterol e triglicérides nas crianças e adolescentes. Os dados surpreenderam até mesmo os pesquisadores. Inéditos nessa faixa etária da população brasileira, eles compõem o trabalho “Lípides e lipoproteínas séricos em crianças e adolescentes ambulatoriais de um hospital universitário público”, publicado recentemente na Revista Paulista de Pediatria.
De acordo com a literatura mundial e brasileira especializadas, o colesterol em crianças e adolescentes deve ser inferior à 170mg/dL e os triglicérides menores que 100 mg/dL. Para as análises estatísticas do perfil lipídico dessa faixa etária, os pesquisadores da Unicamp adotaram valores de corte internacionais, nacionais e os recomendados pelo médico e pesquisador norte-americano Kwiterovich, estudioso das dislipidemias na infância. Os resultados encontrados pelos pesquisadores do
Ambulatório de Dislipidemias do HC nas medidas analisadas de lipoproteínas do LDL-colesterol (considerado “ruim”) do HDL-colesterol (tido como “bom”) e dos triglicérides foram muito alterados, tanto em meninas quanto em meninos.
Das crianças entre 2 e 9 anos, 44% apresentaram valores alterados para o colesterol total, 36% para o LDL-colesterol e 56% para os triglicérides. Entre os adolescentes de 10 e 19 anos, 44% apresentaram alterações para o colesterol total, 36% para o LDL-colesterol e 50% para os triglicérides. A pesquisa também indicou que houve uma redução de HDL-colesterol em 44% das crianças e em 49% dos adolescentes.
Outros dados analisados neste estudo indicaram que aproximadamente 34% das crianças e adolescentes tinham hipercolesterolemia combinada com hipertrigliceridemia; 15% das crianças e 20% dos adolescentes tinham hipercolesterolemia combinada com hipoalfalipoproteinemia (diminuição do HDL-colesterol); e, na média, 30% tinham hipertrigliceridemia combinada com hipoalfalipoproteinemia.
Segundo a pesquisadora, no Brasil, até o momento, não há estudos com uma grande amostra de crianças e adolescentes ambulatoriais. Houve interesse em explorar os indivíduos atendidos no Hospital de Clínicas da Unicamp por ele abranger uma região com cerca de cinco milhões de pessoas. “Os dados encontrados, portanto, refletem a situação da população desta região do país”, explicou a médica e pesquisadora Eliana Cotta de Faria.
“Os resultados obtidos direcionam a ação para uma abordagem também preventiva. Na medida em que retratamos a realidade das crianças e adolescentes atendidos do HC, nós devemos programar medidas de intervenção nessas faixas etárias para o diagnóstico precoce e correto das suas causas e seu respectivo tratamento. Assim, podemos retardar a progressão da aterosclerose e de suas complicações, principalmente cardiovasculares, além de evitarmos, também, a pancreatite aguda, causada pelo aumento de triglicérides”, explicou Eliana.
De acordo com a docente, algumas dislipidemias têm causas genéticas. Entretanto, a maioria delas são causadas por concentrações alteradas de lipídios e lipoproteínas, partículas que carregam as gorduras circulantes no sangue. As dislipidemias se caracterizam pelo aumento do colesterol e dos triglicérides em algumas dessas lipoproteínas. As lipoproteínas mais conhecidas são a VLDL, LDL e HDL. A VLDL é uma lipoproteína responsável por transportar os triglicérides. A LDL é a principal lipoproteína responsável por transportador o colesterol para os tecidos. Ela é importante para o organismo por ser precursora de hormônios, vitaminas e sais biliares. O colesterol da LDL, na forma natural de sua molécula, não é prejudicial à saúde. Porém, se ele for oxidado pelo organismo ou agentes externos, como as frituras, pode se depositar na parede das artérias, favorecendo o aparecimento de doenças cardiovasculares. Essa oxidação, ou mudança química da molécula, pode ser induzida também pelo tabagismo, estresse, infecções e pelo consumo de alimentos.
A HDL é a lipoproteína “lixeira”, que retira todo o excesso de colesterol das membranas das células, levando-o ao fígado para excreção. O colesterol é excretado pela bile. Quando a LDL está em excesso, oxida-se e é captada de maneira não controlada por outros receptores não regulados pelo colesterol, acumulando-se progressivamente nas células. O desequilíbrio nesse mecanismo é um dos principais fatores de risco para a aterosclerose.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define aterosclerose como o espessamento das artérias pelo acúmulo de gorduras, carboidratos complexos, componentes do sangue, células e material intercelular. De acordo com a pesquisadora, a aterosclerose começa na vida intra-uterina e se manifesta, clinicamente, por meio de angina, infarto agudo do miocárdio, derrames cerebrais e aneurismas na vida adulta, por volta dos 45 anos nos homens e 55 anos nas mulheres.
“Os fatores de risco para a aterosclerose são inúmeros. As dislipidemias são fatores de importância primordial e, quanto mais cedo se corrigir esta alteração, menor é a progressão da doença”, explicou Eliana. Nas crianças, existem várias causas de dislipidemias. Do ponto de vista das doenças causadoras, as doenças renais, as doenças de fígado, as endócrinas como a obesidade, o diabete mellitus e o hipotireoidismo, além de várias de origem genética, são as principais.
Do ponto de vista do estilo de vida contemporâneo, o estresse emocional, o sedentarismo e a alimentação inadequada são fatores que contribuem para o aumento da prevalência da obesidade e sobrepeso, que ocasionam doenças relacionadas às dislipidemias. Na opinião de Eliana, o medo da violência, o excesso de jogos de computador, as dietas de fast-food e as dietas ricas em gordura saturada, açúcar e frituras são altamente perniciosas para os lípides sanguíneos e parecerem contribuir com essa realidade. “Se a família tem um padrão pouco saudável de alimentação, as crianças irão seguir este modelo”, explica Eliana.
No caso dos adolescentes, o tabagismo, o uso de anticoncepcionais e a gravidez são outros fatores que, associados aos anteriores, contribuem para o desenvolvimento de dislipidemias.
Um caso raro no mundo
A equipe multidisciplinar que compõe o Ambulatório de Dislipidemia do HC atende casos graves da doença. Um dos casos atendidos e acompanhados até hoje é o de um menino com 12 anos. Ele nasceu com uma deficiência enzimática da lipoproteína lipase (LPL) que é uma enzima chave no catabolismo das lipoproteínas. Ela atua, principalmente, no tecido adiposo e muscular. A incidência da doença é estimada em um para cada milhão de recém-nascidos. O caso da criança é raro no mundo. Ele é o 16º paciente pesquisado.
Aos 6 meses de idade, o garoto apresentava triglicerídeos no sangue iguais a 726mg/dL. O fígado e o baço eram volumosos. O diagnóstico médico inicial foi de virose. Até que, numa crise de dor abdominal, o menino foi encaminhado para o HC da Unicamp. O diagnóstico e tratamento dietético foram feitos no Ambulatório de Dislipidemias. Ele foi acompanhado, também, na Gastropediatria e na Cardiologia.
“Hoje, a doença é controlada, desde que ele siga as recomendações dietéticas. Caso contrário, ele pode vir a apresentar pancreatite aguda ou epididimite, tais como complicações do aumento de triglicérides”, disse Roseli, a mãe do paciente.
Apesar de várias pesquisas mundiais, principalmente no Canadá, não há medicamento para esta dislipidemia. O único tratamento é dietético. Para ajudar na dieta de filho, de um ano e meio para cá, Roseli começou a cursar uma faculdade de Nutrição. Ela mudou o cardápio retirando a gordura, os carboidratos simples e o açúcar. No lugar, introduziu arroz integral e alimentos ricos em fibras. “O carboidrato também faz subir os triglicérides”, disse Roseli, com voz de especialista.
Para quem chegou até 6.000mg/dL de triglicerídeos no sangue, o menino tem uma vida normal. Ele é escoteiro, medalha de bronze no Campeonato Paulista de judô, excelente aluno e sabe o que pode e o que não pode comer. “Quando ele ultrapassa a cota de gordura e carboidratos ingeridos no dia, é crise na certa”, comentou a mãe.
Numa dessas crises, a equipe do Ambulatório de Dislipidemias do HC da Unicamp fez com o paciente um teste terapêutico em regime de internação hospitalar de curta duração para controle absoluto da sua dieta. Os pesquisadores ofereceram clara de ovo como fonte de proteínas da dieta. Os triglicérides de V. reduziram-se para 300mg/dL.
“As pancreatites e as epididimites de repetição do garoto são de origem genética. Ele tem que fazer um rigoroso controle alimentar continuado até o surgimento de um tratamento que supra essa grave deficiência enzimática”, comentou Eliana, que acaba de diagnosticar dois novos casos menos graves de LPL no ambulatório.
O grupo de pesquisadores do Ambulatório de Dislipidemias do HC da Unicamp foi o primeiro a descrever, em crianças, o aparecimento da epididimite aguda na deficiência de LPL. Este trabalho foi, recentemente, submetido à publicação no Journal of Clinical Lipidology.
Serviço do HC prescrevedieta e elabora cardápios
As crianças e adolescentes atendidos no ambulatório de Dislipidemias do HC vêm, geralmente, encaminhados dos postos de saúde de Campinas, de centros de saúde de cidades vizinhas e do próprio HC, já com suspeita ou o diagnóstico de dislipidemias. Após a realização de uma série de exames, a equipe do ambulatório começa o tratamento. O serviço de nutrição do HC prescreve uma dieta individualizada e elabora cardápios para as crianças e adolescentes. Essa dieta é baseada em frutas, legumes, alimentos ricos em fibras, restrita em gordura de origem animal, colesterol e gordura saturada de carne vermelha e leite gordo. As crianças, em geral, usam leite de soja. As mães aprendem, por exemplo, a preparar bolos e biscoitos a base de soja. Em alguns casos de maior restrição, a suplementação vitamínica é oferecida.
É recomendado, no mínimo, 30 minutos de atividade física diária ou pelo menos três vezes por semana. Se o paciente for tabagista, é solicitada a interrupção do fumo. Não são preconizadas drogas redutoras dos lipídeos (hipolipemiantes) para as crianças, exceto em casos muito graves. Mesmo em adolescentes, somente são utilizadas medicações numa situação em que não há nenhuma resposta ao tratamento de mudanças de estilo de vida.
“Caminhando nessa linha de investigação, nós delineamos o perfil de risco para as crianças e adolescentes antes do tratamento. Quando incluímos o exercício físico e a dieta, nós estamos acrescentando fatores de risco negativo ao perfil de lípides destes pacientes. Essa é uma população que merece muito carinho e um muito cuidado para a prevenção da doença”, explicou Eliana.
Após oito anos atendendo crianças e adolescentes, os pesquisadores notaram que as famílias, ao receberem o diagnóstico da doença, têm reações diversas. Se a família é muito humilde, ela se conforma mais. Se a família tem expectativas maiores para a criança, o impacto é muito maior. Não são raras as famílias cujos membros entram em pânico.
“Por mais que se explique à família que são situações tratáveis, raramente letais, que com cuidados se controlam ou dependendo da causa se curam, o problema maior que encontramos é o da família não conseguir fazer o tratamento: umas por dificuldades socioeconômicas, outras por descaso ou problemas pessoais. Colocar uma criança e um adolescente em dieta não é fácil. Para dar certo, a família inteira tem que se comprometer”, explicou Eliana. Créditos:EDIMILSON MONTALTI
CONSELHO DA RMC APÓIA PROPOSTA DE HOSPITAL DE EMERGÊNCIA DO HC DA UNICAMP
O Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas (RMC) aprovou nesta terça-feira (21/10), durante a 84ª reunião ordinária realizada em Hortolândia, o apoio integral à construção de um Hospital de Emergência do HC da Unicamp. A votação da proposta se deu após a apresentação do projeto aos prefeitos e membros do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas, realizada pelo superintendente do HC, Luiz Carlos Zeferino com apoio do coordenador da Unidade de Urgência (UER) José Benedito Bortoto e da assessora Sueli Rangel.
O projeto da nova unidade do HC abriu a 84ª reunião ordinária, que ainda discutiu outros temas como a apresentação da EMTU sobre o plano operacional de circulação e tarifário do Corredor Metropolitano e a deliberação sobre a inclusão da Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo no Conselho de Desenvolvimento da RMC. Presidida pelo prefeito de Itatiba, José Fumach, a deliberação sobre a proposta do HC da Unicamp agora seguirá para Brasília como uma das demandas apoiada por todos os 19 municípios da RMC.
Para o anfitrião da 84ª reunião ordinária da RMC, prefeito Angelo Perugini, a proposta vem de encontro a uma das principais demandas da região: leitos de alta complexidade. “Todos nós conhecemos a importância do HC da Unicamp para a RMC e o Estado, e a proposta terá nosso total apoio para emendas de bancada em Brasília, já que os recursos não são volumosos mas em contrapartida os benefícios são imensos”, destacou Perugini. Já o prefeito Rodrigo Santos, de Monte Mor, acredita na viabilização do projeto. “Rotineiramente vivemos a dificuldade de conseguir leitos para casos graves através da Central de Vagas da DRS 7. O projeto é bem vindo e vamos apoiá-lo”, enfatizou Santos.
De acordo com Luiz Carlos Zeferino, inicialmente foi decidido construir apenas uma nova unidade para o atendimento de emergência, sem estrutura de internação. “Rapidamente identificamos que os principais problemas não seriam resolvidos como o baixo número de leitos clínico-cirúrgicos e de terapia intensiva”, explicou. Com o planejamento redimensionado, diz Zeferino, optou-se por implantar um hospital que funcionará como uma Unidade de Emergência Referenciada, com altíssima resolubilidade, com cinco pavimentos, integrado funcionalmente ao Hospital de Clínicas, totalizando cerca 7.400m2.
A nova unidade já dispõem dos recursos aprovados no Ministério da Saúde para a fase 1 do projeto que somam R$ 6 milhões. A outra etapa está orçada em R$ 7milhões. Serão necessários ainda cerca de 10 milhões para aquisição de equipamentos e mobiliário. “Hoje é sabido que o número total de leitos de terapia intensiva é claramente insuficiente para atender a necessidade assistencial do HC. Como conseqüência há restrição no número de cirurgias de grande porte, por falta de leitos de Terapia Intensiva-UTI”, detalhou Zeferino aos membros do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas.
Ainda segundo Zeferino a nova unidade terá um forte impacto nas demandas de emergência para o SUS da região com destaque para a ampliação dos atendimentos de pacientes politraumatizados; pacientes com infarto do miocárdio; pacientes com acidente vascular cerebral (AVC); intoxicação exógenas de qualquer natureza; acidentes causados por animais peçonhentos e ampliação da humanização da assistência eliminando a manutenção de pacientes em macas.
O novo projeto completo contará com cerca de 140 vagas de observação clínica adulto e infantil, internação clínica e terapia intensiva. “A conclusão do projeto vai impactar no aumento de inúmeros procedimentos no HC como os transplantes, as cirurgias oncológicas, as cirurgias cardíacas e vasculares, as neurocirurgias, com destaque para tratamento de epilepsia, as cirurgias ortopédicas, as cirurgias bariátricas entre outras”, concluiu Zeferino em sua apresentação.
A RMC foi criada pela Lei Complementar Estadual nº 870, de 19 de Junho de 2000, sendo constituída pelo agrupamento dos seguintes 19 municípios: Americana, Arthur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Jaguariúna, Monte Mor, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d’Oeste, Santo Antônio de Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo. Possui uma área de 3.673 Km2 e uma população de 2.620.909 habitantes. Créditos: Caius LuciliusAssessoria de Imprensa do HC UNICAMP
O projeto da nova unidade do HC abriu a 84ª reunião ordinária, que ainda discutiu outros temas como a apresentação da EMTU sobre o plano operacional de circulação e tarifário do Corredor Metropolitano e a deliberação sobre a inclusão da Secretaria de Desenvolvimento do Governo do Estado de São Paulo no Conselho de Desenvolvimento da RMC. Presidida pelo prefeito de Itatiba, José Fumach, a deliberação sobre a proposta do HC da Unicamp agora seguirá para Brasília como uma das demandas apoiada por todos os 19 municípios da RMC.
Para o anfitrião da 84ª reunião ordinária da RMC, prefeito Angelo Perugini, a proposta vem de encontro a uma das principais demandas da região: leitos de alta complexidade. “Todos nós conhecemos a importância do HC da Unicamp para a RMC e o Estado, e a proposta terá nosso total apoio para emendas de bancada em Brasília, já que os recursos não são volumosos mas em contrapartida os benefícios são imensos”, destacou Perugini. Já o prefeito Rodrigo Santos, de Monte Mor, acredita na viabilização do projeto. “Rotineiramente vivemos a dificuldade de conseguir leitos para casos graves através da Central de Vagas da DRS 7. O projeto é bem vindo e vamos apoiá-lo”, enfatizou Santos.
De acordo com Luiz Carlos Zeferino, inicialmente foi decidido construir apenas uma nova unidade para o atendimento de emergência, sem estrutura de internação. “Rapidamente identificamos que os principais problemas não seriam resolvidos como o baixo número de leitos clínico-cirúrgicos e de terapia intensiva”, explicou. Com o planejamento redimensionado, diz Zeferino, optou-se por implantar um hospital que funcionará como uma Unidade de Emergência Referenciada, com altíssima resolubilidade, com cinco pavimentos, integrado funcionalmente ao Hospital de Clínicas, totalizando cerca 7.400m2.
A nova unidade já dispõem dos recursos aprovados no Ministério da Saúde para a fase 1 do projeto que somam R$ 6 milhões. A outra etapa está orçada em R$ 7milhões. Serão necessários ainda cerca de 10 milhões para aquisição de equipamentos e mobiliário. “Hoje é sabido que o número total de leitos de terapia intensiva é claramente insuficiente para atender a necessidade assistencial do HC. Como conseqüência há restrição no número de cirurgias de grande porte, por falta de leitos de Terapia Intensiva-UTI”, detalhou Zeferino aos membros do Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Campinas.
Ainda segundo Zeferino a nova unidade terá um forte impacto nas demandas de emergência para o SUS da região com destaque para a ampliação dos atendimentos de pacientes politraumatizados; pacientes com infarto do miocárdio; pacientes com acidente vascular cerebral (AVC); intoxicação exógenas de qualquer natureza; acidentes causados por animais peçonhentos e ampliação da humanização da assistência eliminando a manutenção de pacientes em macas.
O novo projeto completo contará com cerca de 140 vagas de observação clínica adulto e infantil, internação clínica e terapia intensiva. “A conclusão do projeto vai impactar no aumento de inúmeros procedimentos no HC como os transplantes, as cirurgias oncológicas, as cirurgias cardíacas e vasculares, as neurocirurgias, com destaque para tratamento de epilepsia, as cirurgias ortopédicas, as cirurgias bariátricas entre outras”, concluiu Zeferino em sua apresentação.
A RMC foi criada pela Lei Complementar Estadual nº 870, de 19 de Junho de 2000, sendo constituída pelo agrupamento dos seguintes 19 municípios: Americana, Arthur Nogueira, Campinas, Cosmópolis, Engenheiro Coelho, Holambra, Hortolândia, Indaiatuba, Itatiba, Jaguariúna, Monte Mor, Nova Odessa, Paulínia, Pedreira, Santa Bárbara d’Oeste, Santo Antônio de Posse, Sumaré, Valinhos e Vinhedo. Possui uma área de 3.673 Km2 e uma população de 2.620.909 habitantes. Créditos: Caius LuciliusAssessoria de Imprensa do HC UNICAMP
Oftalmologia da Unicamp homenageia pioneiro do Projeto Catarata no Brasil
Newton Kara José está na Unicamp desde 1977 e foi o idealizador do Centro de Referência em Oftalmologia do HC, reabriu o programa de residentes na oftalmo, criou o Núcleo de Prevenção de Cegueira, além de ser um dos responsáveis pela criação do Projeto Catarata no Brasil. Dr. Newton dedicou-se ao longo destes anos a pesquisas cientificas na área de oftalmologia e também ao trabalho de extensão, prestando atendimento a toda comunidade.
O Projeto Catarata, por exemplo, reconhecido como uma das mais importantes estratégias para o atendimento de deficientes visuais em países do terceiro mundo e premiado internacionalmente, foi realizado regularmente em Campinas e em outras cidades do país por mais de 20 anos. Várias equipes foram formadas e levaram a cura para mais de 150 cidades brasileiras. Durante esse período, foram realizados mais de cinco milhões de consultas, resultando em cerca de 1 milhão de cirurgias.
A homenagem solene contou com a presença do coordenador geral da Unicamp, Prof. Dr. Fernando Ferreira Costa; do diretor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) Prof. Dr. José Antonio Rocha Gontijo; do superintendente do HC Prof.Dr. Luiz Carlos Zeferino; da chefe do Depto de Oftalmo/Otorrino da FCM Prof.Drª Keila de Carvalho; do pró-reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Unicamp Prof. Dr. Mohamed Habib, do coordenador de saúde do distrito norte de Campinas Dr. Edison da Silveira; do secretário geral do Conselho Brasileiro de Oftalmologia Prof.Dr. Nilo Holzchuh; do chefe da Disciplina de Oftalmologia da FCM Prof. Dr. Valdir Balarin; do chefe da Disciplina de Otorrinolaringologia da FCM Prof. Dr. Agrício Nubiato Crespo e do conselheiro do CRM do Estado de São Paulo Prof.Dr. Adamo Lui Neto. Prestigiaram também a solenidade residentes e funcionários da oftalmologia do HC, familiares e amigos de Newton.
Em sua fala, o superintendente do HC ressaltou o valor das pessoas que trabalham no hospital e referiu-se ao homenageado como um grande profissional, que deixa um importante legado que qualifica a instituição. Zeferino concluiu seu discurso utilizando-se de uma frase dita por Newton Kara José: “Não temos grandes prédios, temos grandes pessoas”. O diretor da FCM observou o papel de Newton enquanto docente, bem como seu trabalho junto à Faculdade de Ciências Médicas. “O Dr. Newton criou uma disciplina que saiu do nada e que hoje tem repercussão nacional e internacional. Ele foi empreendedor e conseguiu criar vínculos entre universidade e comunidade”, disse Gontijo. O coordenador geral da Unicamp também falou da extensão à comunidade nas atividades conduzidas por Kara José "Newton fez uma relevante ação em termos de extensão à comunidade, tarefa feita de forma pioneira e exemplar. Seu legado permanecerá para sempre na Unicamp", observou Fernando Costa.
Todos os demais componentes da mesa falaram do pioneirismo, da dedicação à profissão e do legado deixado por Newton Kara José para a oftalmologia. Além deles, Flávio Nero Miushi, residente da oftalmo, também prestou homenagem ao professor em nome de todos os residentes da área e disse que “O professor Newton é exemplo para médicos de todas as especialidades”. A oftalmologista Denise Fornazari ressaltou também a importância do “mestre” Kara José, “Este é um homem que dedicou sua vida à assistência. Suas idéias são referência nas ações de saúde ocular. É o nosso mestre e a sua marca está em tudo o que de bom aconteceu nestes 50 anos de Oftalmologia", pontuou Denise.
Em seu discurso, o homenageado agradeceu a todos e disse que continuará colaborando com a Universidade. Newton disse ainda que manterá seu hábito de estimular todos com quem trabalha em busca de bons resultados. Além disso, falou da importância do trabalho dos residentes. Segundo ele, hoje são 400 residentes de oftalmologia espalhados pelo país saídos da Unicamp, sendo que 95% deles têm sucesso profissional. Para Kara José estes bons profissionais além de elevar a especialidade de oftalmologia são exemplos e mostram que a marca Unicamp é muito forte em todo país.
Créditos:Caius Lucilius com Gláucia Santiago e Isabel GardenalAssessoria de Imprensa do HC UNICAMP
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